Fuzil M1 Garand

 


Pouco após o início da Primeira Guerra Mundial, John C. Garand começou a desenvolver o projeto de um fuzil semi-automático (ou auto-carregável). Ele trabalhava no arsenal de Springfield e durante os anos 20 e início dos anos 30 desenvolveu vários projetos. Os primeiros rifles foram construídos usando sistema um pouco raro de cartuchos chamado blowback, mas devido a algumas razões este sistema era inadequado para um fuzil militar, então ele mudou para o sistema a gás, que era mais simples. Ele requisitou uma patente para seu fuzil operado a gás, alimentado por clipe em 1930, e os EUA patentearem seu projeto em 1932. Este fuzil era construído com base em um fuzil experimental, que utilizava cartuchos calibre .276 (7mm).

Pára-quedista do 503º Regimento de Infantaria Pára-quedistas do Exército dos EUA em ação co seu M1 Garand em Nadzab, Nova Guiné, 1944.

O fuzil de Garand era testado pelo Exército dos EUA no Campo de Provas de Aberdeen, juntamente com seu competidor principal, um fuzil Pedersen calibre .276. Em 1932 o general MacArthur, dos EUA, acatou a indicação do fuzil de Garand e declarou que o Exército dos EUA deveria voltar a utilizar o velho cartucho .30-06, decisão sensata pois existiam enormes estoques deste cartucho e a crise financeira na permitia muitas inovações. Prevendo esta escolha Garand já havia idealizado uma variação de seu projeto para utilizar munição .30-06. Finalmente, no dia 6 de Janeiro de 1936, o fuzil de Garand passou a ser adotado pelo Exército dos EUA como um "fuzil calibre .30 M1".

Os fuzis do primeiro lote, porém, demonstraram algumas características muito ruins, engasgando muito freqüentemente para um fuzil militar decente. Então, em 1939, o Congresso dos EUA solicitou uma importante alteração de projeto, e Garand rapidamente redesenhou o sistema de aproveitamento de gás, que melhorou muito a confiabilidade da arma. Quase todos os fuzis M1 do primeiro lote foram rapidamente reconstruídos para adotar o novo sistema de gás. Assim, muito poucos fuzis M1 Garand originais sobreviveram até os dias presentes, e estes são artigos de colecionadores extremamente caros.

O Garand era um fuzil de carregamento automático bastante simples e robusto. Sua coronha de madeira vai até a metade do cano, e sua telha, que também é de madeira, reveste-o quase todo. O receptor é curto e a alça de mira monta sobre ele. A ação é simples, o ferrolho, curto, é travado por dois tarugos trancadores dianteiros, que giram e se prendem a reentrâncias existentes logo atrás da culatra. Todo a superfície da culatra e o sistema de trancamento podem ser limpos com facilidade, tornando esse sistema bastante confiável e resistente.

Sua tecnologia, inovadora na época, utilizava-se de um ferrolho rotativo, que permitia mais velocidade nos disparos. Sua alimentação era feita por um clipe (limite de metal que comportava a munição) de oito cartuchos, sendo que era impossível a alimentação individual dos mesmos. A característica mais marcante no Garand era que, ao se esgotar o clipe, este era ejetado pelo sistema de alimentação.

Sua grande desvantagem é que era muito difícil recarregá-lo com o clipe ainda carregado, o que forçava os seus usuários a atirar o clipe inteiro para que ele saltasse. O clipe tinha ainda uma tendência de ficar preso na arma quando usado em ambientes úmidos (no Pacífico, por exemplo), pelo que foi desenvolvido um lubrificante especial para ser usado na arma a fim de reduzir os efeitos da umidade sobre o mecanismo da arma.

O Garand também contava com um lançador de granadas muito eficiente e fácil de usar. Era possível também o encaixe de uma baioneta ou também uma mira telescópica que ampliava 2,2 vezes. No começo de 1944 tentou-se criar uma versão totalmente automática do Garand para substituir os fuzis automáticos Browning M1918 (BAR), que envelheciam rapidamente. Esse modelo teve poucas unidades fabricadas e nenhum deles entrou em uso, pois todos sofriam dos mesmos defeitos comuns a uma arma do tamanho de um fuzil que tem de fazer as vezes de uma metralhadora leve.

Quando os EUA entraram na Segunda Guerra Mundial, os fuzis M1 passaram a ser produzidos em massa nas fábricas Springfield Armory e Winchester. Durante a guerra, a Springfield produziu 3.519.471 e Winchester produziu 680.529 rifles M1, num total de 4.200.000. Assim, o M1 Garand foi o fuzil semi-automático mais amplamente utilizado na Segunda Guerra Mundial. Durante a guerra, o M1 Garand demonstrou que era uma arma confiável e poderosa.

Ranger da 29 Divisão de Infantaria dos EUA em ação na Noruega em 1943 durante uma raid dos Commandos. Seu M1 está com uma baioneta modelo M1905.

A FEB recebeu poucos M1 Garand, no seu lugar vieram muitos fuzis Springfield 1903 e suas derivantes. O General Mascarenhas de Moraes esperava que os três regimentos de sua divisão recebessem o Garand. No entanto, quando a primeira remessa de armamento chegou às mãos do 6º Regimento de Infantaria, os brasileiros puderam constatar que apenas 5.000 exemplares do Springfield estavam contidos entre o material recebido.

Em uma tentativa de contentar os brasileiros, 200 Garands foram cedidos à FEB para treinar a tropa em caráter limitado. Supostamente, a Peninsular Base Section não contava com quantidades do M1 suficientes para equipar os brasileiros. O Springfield continuou sendo usado por unidades americanas que não fossem de infantaria, como unidades de artilharia e apoio até 1945.

Ocorreram algumas tentativas para melhorá-lo durante a guerra, mas estas não passaram das fases experimentais, com exceção de duas modificações para rifle sniper, denominados M1C e M1D. Ambos entraram em serviço no ano de 1945 e eles possuíam uma luneta que era fixada à esquerda da arma, devido ao fato de que o carregamento dos clips, característico do M1, se dava na parte superior da arma.

Depois do fim da WWII, a produção do M1 nos EUA foi encerrada, e alguns fuzis e também licenças para fabricação, foram vendidos para outros países, como Itália e Dinamarca.

Com a deflagração da guerra coreana em 1950 a produção de M1 para as forças dos EUA foi retomada em 1952. Os fuzis foram fabricados na Springfield Armory, e também nas fábricas Harrington & Richardson (H&R) e International Harvester Company.

Aquelas empresas fabricaram M1s até 1955, e a Springfield produziu Garands até 1956. Em 1957, com a adoção oficial do novo fuzil M14, que utilizava munição 7.62x51mm, para o serviço dos EUA, o M1 se tornou obsoleto.

Foi ainda utilizado durante alguns anos devido à falta de fuzis M14 e M16, e teve algum uso durante o primeiro período da guerra do Vietnã. Mais tarde, muitos M1s foram transferidos para a Guarda Nacional dos EUA , sendo usados como arma de treinamento pelo Exército, ou vendidos para civis como excesso militar.

Hoje, faz enorme sucesso entre os civis americanos e colecionadores do mundo inteiro. Serviu de base para a criação do AR-14 e hoje sabe-se que o famoso projetista russo Mikhail Kalashnikov usou um Garand junto com uma StG44 como base para o projeto da sua arma, a venerável e muito conhecida AK-47. Alguns M1 são ainda usados pelo Exército dos EUA como armas de cerimonial.

US Marines, armados com fuzis M1 Garand, Carabina M1 e BAR, na Guerra da Coréia, no Reservatório de Chosin, 1950-51.

Dados técnicos

País: EUA
Inventor: John Garand
Ano do projeto: 1932
Início de produção: 1936
Número de unidades fabricadas: Aprox. 5.4 milhões
Tempo em serviço no Exército dos EUA: 1936 a 1963
Calibre: .30-06 Springfield 7.62x51mm NATO
Operação: a gás, com ferrolho rotativo

Cadência do Tiro: 400 tpm
Velocidade de saída do projétil: 741 m/s

Miras: de abertura ajustável, 100 a 1200 jardas
Alcance eficaz: 500 m
Peso: 4,275 Kg
Comprimento total: 1.107 mm
Comprimento do cano: 609 mm
Alimentação:
clipe de oito cartuchos, era impossível alimentação individual de cartuchos
Variantes: M1C, M1D

 

Pára-quedista precursor da 101ª Divisão Aerotransportada durante os combate na Normandia, no Dia-D. Ele está usando corte de cabelo e pintura de guerra dos índios americanos Mohawk


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Assunto: M1 Garand